segunda-feira, 4 de junho de 2012

Peça de teatro do 6º A "A Árvore"

Hoje, pouco depois das 10 da manhã, a turma do 6º A dramatizou a peça que escreveu, nas aulas de Oficina das Letras e dos Números (é uma espécie de Estudo Acompanhado), na entrada da escola, tendo como público algumas turmas convidadas. Apesar de alguns problemas técnicos (de som, devido ao espaço onde representaram), penso que foi uma atividade engraçada e do gosto dos alunos.
Brevemente publicarei aqui as fotografias, para terem uma ideia do que foi.
Aproveito para deixar aqui o meu profundo agradecimento aos alunos que assistiram, que se portaram muito bem e ao apoio dos colegas, com especial relevo para a diretora de turma do 6º A, Cristina Fernandes e para o meu par pedagógico, Mariana Magro.
Também irei publicar o texto, para poderem ler. Aqui vai...


Ato I
Narrador 1: - Na escola Marquesa de Alorna há uma árvore estranhíssima. Chegam à escola 5 alunos oriundos de 5 países – 1 brasileiro, 1 chinês, 1 ucraniano, 1 cabo verdiano e 1 esquimó da Sibéria. São recebidos por 3 alunos da escola, um de etnia cigana, um português e um africano.
No átrio da Marquesa, onde se encontra a estranha árvore, estão os 3 alunos prestes a receber os alunos estrangeiros. Conversam entre si Giovanny, o Zé Manel e a Neusa:

Giovanny: - Ai mãe, estou um bocado nervoso com isto tudo…
Zé Manel: - Mas estás nervoso com quê? Com a vinda dos alunos estrangeiros? Ainda vêm umas miúdas giras, vais ver eheheh…
Neusa: - Vocês só falam é de miúdas. Preocupem-se é em recebê-los bem e pode ser que arranjem uma namorada.
(Começam a entrar os alunos estrangeiros, a olhar para tudo à sua volta, com ar curioso, comentando entre si:)
Kauã: - Xiii, galera, está cá uma brasa!...
Niara: - Brasa brasa está no meu continente, ÁFRICA!
Inuit: - Pois no meu é um frio de rachar! Na Sibéria nós ….
(Kauã interrompe o esquimó)
Kauã: - Brasa faz também no meu país, meu Brasil! ‘Tou falando daquela mina ali… olha só! Gostosa… (diz isto olhando e apontando para a Neusa)
Ivan: - Isso ser muito verdade. “Minina” bonita bonita…
Li: - Xegale agola e só meninas?? Não não! Mal mal! Nós il pala onde?
(finalmente encontram-se todos cara a cara e iniciam a conversa)
Neusa (toda sorridente): - Olá, boa tarde. São vocês os alunos estrangeiros?
(Kauã passa à frente dos outros e, enquanto os outros respondem sim em coro, diz)
Kauã: - Sim, minha doçura… (com ar babado)
Zé Manel: - Sejam todos bem-vindos ao nosso país e à nossa escola! Eu sou o Zé Manel, esta é a Neusa e aquele é o Giovanni. Giovanni, anda cá, pá! ‘Tás com vergonha?
Giovanni: - Com vergonha o quê, filho?? (indignado) Um cigano nunca é envergonhado, paiii!!
Neusa : - Deixem-se disso, deixem-nos apresentarem-se.
(cada estrangeiro apresenta-se)
Inuit: - Ainngai. Sou o Inuit e sou da Sibéria.
Li: - Mihau. Eu Li da China.
Ivan: - Priviet! Eu ser Ivan, da Ucrânia.
Kauã: - Oi! Eu sou Kauã, o brazuca…
Niara: - Olá! Sou a Niara e venho de África, de Moçambique.
Neusa: - Feitas as apresentações, vamos mostrar-vos a escola. Sigam-nos.
(todos seguem os anfitriões, mas a Niara vai contra a árvore e cai…)
Niara: - AIIIII!
(todos param, ajudam-na, mas quando reparam na árvore que se encontra no centro do átrio…)
Ato II
Narrador 2: - Após a queda de Niara e do espanto causado em todos os alunos estrangeiros com o vislumbre da estranha árvore, ali, no meio do chão, muitas perguntas pairavam.
Alunos estrangeiros em coro: - Mas o que é isto????
Zé Manel (com ar um bocado sem jeito) : - Bem… isto… ah… pois… esta árvore está aqui há muito muito tempo…nem nós sabemos ao certo como ela veio aqui parar.
Giovanny: - Oiçam lá, eu ouvi dizeri que esta árvre apareceu aqui por causa dum aluno porcalhão, que sempre que comia fruta, amandava os caroços para o chão, até que um dia esta coisa cresceu para aqui.
Neusa: - Não! Não! Isso não é verdade. O diretor quando veio para esta escola, há muitos anos, já a árvore se encontrava neste local. É um mistério… mas temos muito respeito por ela.
Inuit: - Mas como é possível ninguém saber como a árvore veio cá parar? Como pode ter crescido do nada? E no cimento???
Kauã: - E você, “potência”, tentou descobrir o mistério dessa árvore?
Neusa: - Não, porque já me habituei a tê-la por aqui. É o que torna a nossa escola especial e diferente das outras.
Todos os meninos continuam a trocar impressões entre si, até que acontece o inesperado…
Ato III
(Ouve-se uma voz estranha que cala todos os alunos, deslumbrados e incrédulos)
Árvore: - Ei? Vocês aí? Posso? (com uma voz forte mas ao mesmo tempo doce).
Os alunos todos em coro: - Aaaahhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!.......
Árvore: - Bem, deduzo que posso. Então querem saber o mistério da minha existência nesta escola?
Os alunos todos em coro: - Queremos pois!
Árvore: - Pois bem, então começou assim… há 500 anos, uma menina muito bonita, chamada Soraia, andava a brincar com os seus pombos. Ela tinha muitos e gostava de treiná-los a trazerem e levarem mensagens de paz e amor por todo o lado. Um dia, começou a sentir uma certa vontade de conhecer o mundo, mas como era pobre, não tinha hipóteses de o fazer. Queria muito saber como eram os outros povos e suas culturas.
Ivan: - E o que é que ela fez?
Niara: - Ela conseguiu? Foi viajar?
Li: - Deixal ouvil a histólia!! A álvole é que sabe…
Árvore: - Bem, como estava a dizer, a menina queria muito conhecer o mundo, mas não tendo oportunidade, teve uma ideia.
Os alunos todos em coro: - O quê? O quê?? (ansiosos)
Árvore: - Pediu à sua pomba preferida e mais esperta que voasse pelos 4 cantos do mundo e que arranjasse uma semente de cada sítio, para ela depois poder plantá-las e, pelo menos, conhecer a flora mundial.
Neusa: - Oh! E a pomba conseguiu? Tantos quilómetros, tantos sítios…
Inuit: - Mas ela comeu? Bebeu? Como é que ela aguentou?
Árvore: - Calma, calma! A viagem era mesmo muito longa, então a menina enviou as outras pombas, cada uma para um sítio diferente, para dar apoio à pomba escolhida a cada passagem. Na última paragem onde era suposto a pomba ir ter, algo de errado aconteceu!
 Niara: - Levou um tiro dum caçador?
Li: - Foi contla um avião?
Zé Manel: - Ó meu ignorante, há 500 anos não haviam aviões!
Ivan: - O Zé Manel tem toda a razão.
Inuit: - Perdeu-se?
Árvore: - Nada disso! Ela não se perdeu mas atrasou-se. Ela ia muito carregada com as sementes. De repente, o vento começa a soprar cada vez mais forte, o céu a escurecer, a chuva a cair com força… a pomba lutou contra tudo aquilo, corajosamente…até que…
Todos em coro: - E depois? E depois?
Li: - Calados!!! Deixal ouvil a álvole!!!
Neusa: - O Li tem razão… Deixem-na falar!
Árvore: - Como estava a dizer, a pomba aguentou tudo – vento, chuva, escuridão, trovões… TUDO!!! Até que uma miserável gotinha, pequenina, que parecia insignificante, causou a desgraça – entrou no olho esquerdo da pomba o que a cegou por momentos, fazendo-a desorientar-se por completo e deixar cair as sementes. E adivinhem por onde ela passava nessa altura???
Ivan: - Onde? Onde?
Inuit: - Só pode ter sido aqui na escola…
Árvore: - Quase isso… caíram ali para os lados do Monsanto. Mas com o vento, as sementes voaram até à escola. Por acaso, estava uma janela aberta neste átrio e por aí elas entraram e… aqui estou eu hoje!!! Sou a mistura de sementes dos quatro cantos do mundo. E nem a Parque Escolar me tirou daqui!
Niara: - Daí seres tão diferente mas bela ao mesmo tempo…
Árvore: - Como todos vocês… diferentes uns dos outros mas todos belos!


se clicarem em baixo, no "player", podem ouvir a peça, com as vozes dos nossos meninos do 6ºA (e da professora Cristina)



  Espero que tenham gostado. Para o cenário os alunos do 6º a e do 6º B construíram uma árvore lindíssima. Depois, poderão vê-la quando publicar as fotografias.



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