quarta-feira, 18 de abril de 2012

Antero de Quental - comemoração do 170º aniversário

Antero de Quental
18/04/1842 - 11/09/1891
Amanhã Antero de Quental faria 170 anos...

Nascido na Ilha de S. Miguel, Ponta Delgada, no Arquipélago dos Açores, foi uma das figuras marcantes quer na poesia, quer na política, na segunda metade do século XIX, no nosso país.
A sua família era muito religiosa.
Frequentou o Colégio do Pórtico, em Ponta Delgada e em 1858 veio para o continente e entrou na Universidade de Coimbra, onde tirou a licenciatura em direito.
Funda a Sociedade do Raio, uma organização secreta constituída por estudantes, ligados à maçonaria e opositores do sistema. Começa a aderir às ideias modernas da altura - republicanismo a nível político e realismo a nível da arte; faz-se notar quando ataca aqueles que acreditavam no tradicionalismo das artes (polémica Questão Coimbrã). Passa por países como França e os EUA, voltando para Portugal em 1868 e funda o Cenáculo, na Casa Jaime Batalha Reis, onde continuou a lutar pelos ideais republicanos.
Em 1871 organiza Conferências do Casino, que originaram a "entrada" das ideias socialistas e anarquistas no nosso país. Corta com a religião cristã, defendendo um ideal de inspiração anarquista, em que a liberdade e a fraternidade prevalecem. Sempre ativo, acaba por se ver envolto em problemas, que o levaram a voltar à sua terra natal, vindo a suicidar-se em junho de 1891.
Antero de Quental fez parte da Geração de 70, juntamente com Eça de Queirós, Ramalho de Ortigão, Guerra Junqueiro, entre outros.

obras poéticas: Odes Modernas (1865), Primaveras Românticas (1871), Sonetos (1886), Raios de Extinta Luz (1892).

Fica aqui um dos seus poemas...


Na Mão de DeusNa mão de Deus, na sua mão direita, 
Descansou afinal meu coração. 
Do palácio encantado da Ilusão 
Desci a passo e passo a escada estreita. 

Como as flores mortais, com que se enfeita 
A ignorância infantil, despojo vão, 
Depois do Ideal e da Paixão 
A forma transitória e imperfeita. 

Como criança, em lôbrega jornada, 
Que a mãe leva ao colo agasalhada 
E atravessa, sorrindo vagamente, 

Selvas, mares, areias do deserto... 
Dorme o teu sono, coração liberto, 
Dorme na mão de Deus eternamente! 

Antero de Quental, in "Sonetos"

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