segunda-feira, 15 de novembro de 2010

José Saramago

Em 1922, no dia 16 de deste mês, nasce o nosso Prémio Nobel da Literatura - José Saramago.
Faleceu recentemente, no dia 18 de Junho deste ano.
Para além de ter ganho o referido prémio, também ganhou o prémio Camões, simplesmente o mais importante prémio literário da língua portuguesa.
Foi o responsável pelo reconhecimento a nível internacional da prosa em português.
Algumas das suas obras foram adaptadas no cinema, nomeadamente "Ensaio sobre a cegueira".
Foi um homem polémico na medida em que travou uma espécie de batalha com a Igreja católica, tendo chegado a criticar o Papa actual.
Outro tema polémico era a sua sugestão de Portugal e Espanha se "unirem" numa Federação Ibérica (isto é, a Península Ibérica ser mais ou menos um só país).
Atento às injustiças dos nossos tempos e às causas sociais, fez-se ouvir através das palavras que escrevia.
Amado por uns, odiado por outros... fica aqui algo mais para aprenderes...

algumas frases suas...

"Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar."

"Os bons e os maus resultados dos nossos ditos e obras vão-se distribuindo, supõe-se que de uma maneira bastante uniforme e equilibrada, por todos os dias do futuro, incluindo aqueles, infindáveis, em que já cá não estaremos para poder comprová-lo, para congratularmo-nos ou para pedir perdão, aliás, há quem diga que é isto a imortalidade de que tanto se fala."

"Todos sabemos que cada dia que nasce é o primeiro para uns e será o último para outros e que, para a maioria, é so um dia mais."


e um texto que aprecio... 

"Sorriso, diz-me aqui o dicionário, é o acto de sorrir. E sorrir é rir sem fazer ruído e executando contracção muscular da boca e dos olhos.

O sorriso, meus amigos, é muito mais do que estas pobres definições, e eu pasmo ao imaginar o autor do dicionário no acto de escrever o seu verbete, assim a frio, como se nunca tivesse sorrido na vida. Por aqui se vê até que ponto o que as pessoas fazem pode diferir do que dizem. Caio em completo devaneio e ponho-me a sonhar um dicionário que desse precisamente, exactamente, o sentido das palavras e transformasse em fio-de-prumo a rede em que, na prática de todos os dias, elas nos envolvem.

Não há dois sorrisos iguais. Temos o sorriso de troça, o sorriso superior e o seu contrário humilde, o de ternura, o de cepticismo, o amargo e o irónico, o sorriso de esperança, o de condescendência, o deslumbrado, o de embaraço, e (por que não?) o de quem morre. E há muitos mais. Mas nenhum deles é o Sorriso.

O Sorriso (este, com maiúsculas) vem sempre de longe. É a manifestação de uma sabedoria profunda, não tem nada que ver com as contracções musculares e não cabe numa definição de dicionário. Principia por um leve mover de rosto, às vezes hesitante, por um frémito interior que nasce nas mais secretas camadas do ser. Se move músculos é porque não tem outra maneira de exprimir-se. Mas não terá? Não conhecemos nós sorrisos que são rápidos clarões, como esse brilho súbito e inexplicável que soltam os peixes nas águas fundas? Quando a luz do sol passa sobre os campos ao sabor do vento e da nuvem, que foi que na terra se moveu? E contudo era um sorriso."
José Saramago

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